Semana de provas em Direito: o que fazer nos últimos 7 dias
A semana de provas de Direito quase nunca chega organizada. Chega com resumo pela metade, aula que ficou pra trás em algum momento do semestre e, não raro, duas provas caindo na mesma quinta-feira. Dá pra sair dela bem, mas o plano não é estudar mais nos sete dias que restam, é escolher o que estudar com outro critério.
Esse guia assume o cenário real, não o ideal do primeiro dia de aula. Se sua matéria está em dia e seu resumo está redondo, ótimo, pule direto pra revisão espaçada e guarde esse texto pra próxima vez que uma prova te pegar de surpresa. Pra quem está no meio da bagunça normal de um semestre de Direito, aqui vai um roteiro dia a dia.
Dia 7: a triagem que dói mas economiza os outros seis
O primeiro erro da semana de provas é abrir o material pelo começo. Antes de estudar qualquer coisa, sente com a ementa, o programa da disciplina ou provas antigas do professor, se você tiver, e separe o conteúdo em dois montes: o que tem chance real de cair e o que você ainda não sabe. A interseção desses dois montes é sua prioridade absoluta pros próximos seis dias.
Estude o que dói, não o que conforta
É tentador abrir o capítulo que você já domina, porque revisar o que já sabe dá aquela sensação boa de progresso. É o oposto do que a semana de provas pede. O tempo curto rende mais em cima do que você não sabe e vai cair do que em cima do que você já sabe e também vai cair. Doer é sinal de que ali é onde o tempo investido paga mais.
Se um assunto te dá vontade de pular a página, é provavelmente ali que sua nota está sendo decidida. Marque esses pontos primeiro, antes de qualquer outra coisa na semana.
Se são duas provas na mesma semana
Quando duas provas caem próximas, a tentação é estudar as duas em paralelo, um pouco de cada por dia. Na prática costuma render pior que dividir o tempo em blocos: dois ou três dias inteiros pra uma matéria, o resto pra outra, dando mais tempo pra prova que está mais longe de pronta ou que pesa mais na média. Fatiar demais o dia entre disciplinas diferentes é como trocar de aba o tempo todo: você gasta energia trocando de contexto e sobra pouca pra estudar de verdade.
Dias 6 a 4: fechar buraco com o que é seu
Com a triagem feita, a fase seguinte é preencher os buracos que ela revelou. Aqui mora a armadilha mais comum da semana de provas: abrir o Google, achar um PDF de resumo feito por outra pessoa, pra outra prova, com o recorte de outro professor, e tentar aprender a matéria por ali de última hora. Funciona mal. Material que não é seu não carrega a marca do que seu professor enfatizou em aula, e você perde tempo decidindo o que dele importa em vez de aprender.
O jeito mais rápido de fechar buraco é voltar pra sua própria anotação de aula e completar o que ficou incompleto, cruzando com o livro-texto só nos pontos que faltaram. Se você não tem um resumo organizado dessa matéria, esse é o momento de montar um rápido, mas só do que a triagem do dia 7 marcou como prioridade. Não tente resumir a disciplina inteira em três dias: isso não é resumo, é cópia apressada, e cópia apressada não gruda.
Se a prova cobra dispositivo de lei, essa é a hora de decidir o que vai memorizar literalmente e o que vai entender pelo sentido. Nem tudo precisa estar na ponta da língua palavra por palavra; boa parte da lei seca rende mais quando você entende a lógica do dispositivo do que quando tenta decorar cada vírgula. Guarde a memorização literal pros artigos que, pela cara da prova ou pelo estilo do professor, costumam ser cobrados ao pé da letra.
Dias 3 e 2: pare de reler, comece a se testar
A partir daqui, reler o material praticamente para de ajudar. Reler dá sensação de reconhecimento, você olha a frase e ela parece familiar, e essa sensação é fácil de confundir com saber. A pergunta que separa quem sabe de quem só reconhece é: você consegue fechar o material e responder sem olhar?
Na prática, isso significa se testar em vez de reler. Pegue os blocos que você resumiu, cubra a resposta e tente responder antes de checar. Se você já tem flashcards prontos dessa disciplina, esses dois dias são o melhor uso possível deles, porque o formato já força a resposta ativa em vez da releitura passiva. Revise puxando primeiro o que você errou ontem, não o que acertou de primeira.
Pra matéria que cai em discursiva, treine a pergunta discursiva de verdade, não só o conceito solto. Pegue um enunciado parecido com o que o professor costuma dar, se dê um prazo curto e escreva a resposta inteira, à mão ou digitada, sem consultar. O erro mais comum nessa fase é achar que sabe o conteúdo porque entende cada peça separada, e descobrir na hora da prova que nunca tinha montado a resposta inteira antes.
Véspera: revisão leve, logística resolvida, dormir
Na véspera a regra muda de novo. Não é hora de aprender coisa nova nem de tentar fechar o buraco que sobrou, é hora de revisar leve o que você já estudou e organizar o resto do dia. Revisão leve quer dizer passar pelos pontos que a triagem marcou como prioritários, sem se aprofundar em nada novo, só pra manter tudo fresco.
- Local e horário da prova confirmados, sem depender da memória
- Material permitido separado com antecedência, caneta, código sem anotação se for o caso, documento
- Alarme extra além do celular
Sobre virar a noite: não vale a pena. Você até consegue empilhar mais conteúdo lendo até de manhã, mas a retenção do que foi estudado sem dormir direito piora, e numa prova de Direito, que cobra raciocínio e não só decoreba, isso pesa mais do que o conteúdo extra que você ganhou. Não é conselho moralista sobre disciplina, é aposta ruim: você troca uma vantagem pequena e incerta por uma desvantagem grande e certa na hora de pensar direito no dia seguinte.
Dia da prova
No dia, o trabalho de aprender já acabou, o que resta é gerenciar você mesmo. Coma alguma coisa, chegue com folga e resista à vontade de abrir o material dez minutos antes pra dar aquela última olhada. Nesse ponto, ler algo novo tem mais chance de te deixar inseguro sobre um assunto que você não domina do que de acrescentar o que falta.
Na prova, comece pela questão que você tem mais certeza, não pela primeira da folha. Isso destrava o resto e evita gastar os primeiros minutos travado numa pergunta difícil enquanto o relógio corre. Se é discursiva, escreva um esqueleto de resposta antes de desenvolver, na base do que você treinou nos dias 3 e 2, e cite o dispositivo pelo número sempre que tiver certeza dele. Na dúvida sobre o número exato, é mais seguro descrever o conteúdo da norma do que arriscar um número errado.
Quem chega na semana de provas com a matéria organizada joga outro jogo
Nada disso é mágica, é só usar bem os sete dias que sobraram. Mas vale dizer o óbvio: quem chega nessa semana com a anotação de cada aula já organizada, com resumo feito ao longo do semestre em vez de na correria, faz a mesma triagem do dia 7 em vinte minutos em vez de duas horas, porque o material já está pronto pra ser filtrado. A diferença entre uma semana de provas tranquila e uma desesperadora costuma ser decidida bem antes dela começar, lá na aula, não na véspera.
O Anotus existe pra isso: você fotografa a anotação da aula, manuscrita, do quadro ou do slide, e ela sai transcrita, organizada em Markdown, com a legislação relacionada sugerida e os flashcards já prontos pra revisão espaçada. Feito assim, aula a aula, a triagem da próxima prova já chega adiantada. O plano grátis cobre duas notas por dia, sem pedir cartão.
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